sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Segurança dos moradores do Rio pode estar ameaçada pela questão salarial

Como se já não bastasse o aumento das ocorrências de homicídio doloso (16,8%), latrocínio (26,8%) e roubos de veículo (5,6%) e a transeunte (17,7%), a segurança do Rio de Janeiro vem sendo ameaçada após um anúncio da realização de uma 'Operação Padrão' por parte da Polícia Militar e o alerta de estado de greve dos delegados da Polícia Civil. Os dados do aumento da criminalidade são do Instituto de Segurança Pública (ISP) em relação ao trimestre de março, abril e maio do ano anterior.

O Coronel Paulo Ricardo Paúl explica que na 'Operação Padrão' os PMs pretendem seguir rigorosamente o regulamento, registrando todas as ocorrências e não usando carros que estejam danificados, além de não assumir serviços com alterações.

"Isso provoca um efeito colateral porque, a partir do momento que o policial perde tempo na delegacia registrando muitos casos, menos policiais ficam nas ruas e, portanto, diminui o patrulhamento." disse o coronel Paúl lembrando que a população vai acabar sentindo os reflexos da 'Operação Padrão' quando chamar uma viatura e ela demorar a chegar.

O comandante geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, vem fazendo reuniões com círculos hierárquicos (todas as patentes da PM), com o objetivo de buscar soluções dos diversos assuntos apresentados, entre eles também a questão salarial.

O comandante esclareceu que há perspectivas de aumento de salário para setembro deste ano. Enquanto isso, de acordo com o coronel Paúl, não é apenas um simples aumento do salário, mas é necessário dar uma atenção especial ao valor deste reajuste.

"O problema é que o percentual do aumento que está sendo esperado é desprezível", reclamou Paúl. Ele explica que em 2006, durante a campanha eleitoral do governador Sérgio Cabral, foi prometido a PM a reposição das perdas salariais dos PMs. Ele sabia que o valor chegava a mais de 56%, mas até agora só foi reposto 12%. A assessoria do governador ainda não se manifestou sobre a declaração.

O movimento (Operação Padrão) está sendo divulgado através do site de relacionamentos 'Orkut', e até agora, vários policiais, bombeiros e a própria sociedade civil apoiaram a ação, mas não se sabe se realmente os PMs de plantão nesta quarta-feira vão aderir.

Os PMs reivindicam também a aprovação da PEC/300 (Proposta de Emenda à Constituição) que determina a remuneração dos servidores policiais e "será fixada na forma do 4º parágrafo do artigo 39, sendo que a das Polícias Militares dos Estados, não poderá ser inferior a da Polícia Militar do Distrito Federal, aplicando-se também o Corpo de Bombeiros militar desse Distrito Federal, no que couber, extensiva aos inativos" O salário da PM-DF é de, no mínimo, R$ 3.200.

Um outro aspecto também criticado pelos policiais militares é o pagamento de gratificação a PMs lotados em Unidades de Policiamento Pacificadora (UPP). "Enquanto eles estão recebendo R$ 500 para ficar em uma área de menos risco, policiais do 14º BPM (Bangu), 9º (Rocha Miranda), 22º (Maré) e outros se arriscam em operações em áreas tomadas pelo tráfico e de intenso de confronto", esclareceu coronel Paúl.

Polícia Civil também reclama do salário:

Enquanto isso, a outra categoria, os policiais civis, lançou um alerta de estado de greve pedindo também aumento salarial, dirigido diretamente ao governador Sérgio Cabral. Os delegados da Polícia, principalmente os mais novos, reclamam da situação salarial, em relação às demais carreiras jurídicas do Estado como magistrados, procuradores e defensores.

Em nota, a Associação dos delegados (Adepol) do Rio de Janeiro, informou que "após quase 3 anos de Governo, Sérgio Cabral ainda não cumpriu os seus compromissos e acordos de campanha assumidos com os delegados, de forma a manter a relação estipendial legal equivalente com as demais carreiras jurídicas".

A classe critica ainda o governo Sérgio Cabral em relação a questão salarial. "Efetivamente, o Governo Sérgio Cabral tem sido pior do que os mandatos, de triste memória, do ex-governador Brizola, em relação ao tratamento remuneratório que deu às carreiras jurídicas, exatamente o que ocorre hoje no atual Governo com os delegados."

Fonte: ww.sidneyrezende.com.br