segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Luminol brasileiro: mais eficaz para quem quer achar vestígio de sangue

Rio - A Polícia Civil ganhou importante aliado no combate ao crime, principalmente nos casos de homicídio em que o corpo da vítima está desaparecido ou quando o assassino limpa o local para tentar destruir provas que possam incriminá-lo. Há dois meses, o luminol brasileiro, mais eficaz que o importado e mais barato, segundo especialistas, é usado por investigadores para descobrir vestígio de sangue na cena de crime. O novo produto rende 80% mais que o anterior, não é tóxico e libera por 30 minutos intensa luminosidade, oferecendo mais tempo e melhor condição para o perito analisar o local ou objetos suspeitos.

Por obter provas científicas irrefutáveis, ao revelar sangue oculto em automóveis, paredes, pisos e objetos, a utilização do luminol tornou-se ferramenta indispensável para os peritos. Ao perceber isso, há dois anos, o Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) iniciou pesquisa para desenvolver um luminol mais eficiente. Atualmente, o luminol brasileiro também é usado por polícias do Rio Grande do Norte, São Paulo e Minas Gerais.

“Mesmo que o automóvel, por exemplo, seja exaustivamente lavado, o produto tem a capacidade de revelar, com total nitidez, o sangue oculto. Isso acontece porque a sensibilidade do nosso luminol identifica vestígios de sangue em uma proporção que vai de um a um milhão”, explicou o coordenador da pesquisa, professor Cláudio Cerqueira, do Instituto de Química da UFRJ.

O luminol brasileiro ou o Alfa Luminox, nome comercial, é feito com matéria-prima nacional e está sendo produzido em escala industrial pela Alfa Rio Química, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

“O Alfa Luminox possui luminescência três vezes maior do que o luminol usado pela polícia americana, rende bem mais e é bem mais barato”, garantiu o diretor da empresa, Richard Kessedjiantor. No entanto, o valor do produto não foi revelado por ele.

Combate a infecção hospitalar

Além de ajudar a elucidar crimes, o luminol brasileiro também está sendo utilizado, ainda em caráter experimental, em hospitais do Rio para combater a infecção hospitalar. O objetivo é detectar sangue oculto em materiais e equipamentos cirúrgicos, em roupas esterilizadas e em salas de emergência. Três unidades já fazem os testes, mas os nomes delas não podem ser revelados para não atrapalhar a experiência.

O índice de infecção hospitalar aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 0,7%. Mas no Brasil os níveis variam de 3% a 20%. Os pacientes podem pegar infecção através do ar, da falta de higiene de profissionais e do sangue. E este é justamente o maior vilão, sendo o responsável por 96% das infecções.

“O sangue não é uma substância fácil de ser removida e o chão, mesmo que pareça estar limpo, por exemplo, pode não estar. Bactérias como a Staphylococcus aureus, a que mais mata no mundo, são bem resistentes e alojam-se no local”, explicou o professor Cerqueira.

Fonte: O Dia