quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ginástica para dividir a fatura

Horas depois de o áudio com as conversas travadas por líderes ter vazado para a imprensa, a maioria dos ´grampeados` decidiu por água na fervura e jogou para os governadores a responsabilidade pela demora na votação dos projetos polêmicos. Os parlamentares reclamaram dos chefes dos executivos estaduais, que não estariam assumindo a pressão pelo engavetamento da PEC 300. O governo federal ainda justificou a negociação inflexível travada pelo aumento do mínimo por conta das crises econômicas enfrentadas por diversos países e que podem gerar reflexos no país já no ano que vem.


Paulinho (PDT) disse que há chance de greve de policiais Foto: José Cruz/ABr
Para oposicionistas, o vazamento da conversa entre os líderes acabou sendo providencial para o próprio Palácio do Planalto, já que boa parte da pressão pela aprovação dos projetos hoje engavetados acabou sendo transferida para os titulares dos governos estaduais. Autor da maior parte das falas polêmicas, o deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP), que é da bancada governista, confirmou que há uma ameaça de os policiais e bombeiros militares cruzarem os braços a partir de janeiro, caso o projeto que institui o piso salarial da categoria não seja aprovado até o fim do ano.

De acordo com Paulinho, a maior pressão para que a proposta seja engavetada parte dos governadores, que teriam de custear os aumentos. Os mandatários estaduais, no entanto, estariam evitando assumir o ônus político de serem contrários à medida. O próprio líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), indicou que o entrave para a aprovação da PEC 300 não é o governo. ´Acho legítimas as manifestações dos policiais, mas temos de levar a questão aos governadores. São eles que vão pagar essa conta. Um piso de R$ 3,5 mil, como eles pleiteiam, significaria um rombo de R$ 40 bilhões`, apontou.

Presidente da frente parlamentar em defesa das categorias, o deputado federal Capitão Assumção (PSB-ES) garantiu que não há a intenção de promover uma greve geral dos policiais até porque a Constituição não permite. ´Estamos nos preparando para fazer uma grande marcha de policiais e bombeiros a Brasília nos dias 23 e 24 da semana que vem. Apenas isso`, garantiu.

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/11/18/politica9_0.asp