domingo, 14 de novembro de 2010

Niterói registra aumento de 61% nos casos de dengue

Em 2010, já foram notificados 1.313 casos, enquanto que em 2009 foram 839 registros. São Gonçalo está em situação de alerta. Clique aqui e assista ao vídeo na TV O FLU

Niterói registrou um aumento de 61% de casos de dengue em relação ao ano passado. Em 2010, já foram notificados 1.313 casos, enquanto que em 2009 foram 839 registros o ano todo. As regiões com maior número de ocorrências são a Oceânica (33,9%) e a Norte (21,4%). Até 3 de novembro, a cidade apresentou apenas um óbito. Em todo o País, os números da dengue crescem. Segundo pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde essa semana, a quantidade de mortes pela doença aumentou em quase 90% em relação ao ano passado.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, os municípios do Estado do Rio não estão entre os que têm maior probabilidade de epidemia, mas 19 cidades estão em situação de alerta. Dentre elas, São Gonçalo que apresentou percentual de infestação de 1,5% no recente Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa) desde ano. A Organização Mundial de Saúde (OMS) determina que o índice deva ser inferior a 1%.

Diante da iminência da época do ano mais propícia para a dengue, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Rafael Freitas alerta para a necessidade de a população ter consciência de que a limpeza do quintal e dos possíveis criadouros é função do dono da casa e não do agente sanitário. Segundo Freitas, a vedação é a melhor maneira de evitar o mosquito.

“E não adianta usar uma lona ou um tecido para vedar recipientes porque com a chuva, a água pode ficar retida em cima e gerar novo criadouro”.

Reprodução – Em pesquisa sobre a capacidade de produtividade do mosquito realizada na Região Metropolitana, a Fiocruz apontou que a característica do criadouro varia conforme o perfil socioeconômico da localidade. O estudo comprovou que em comunidades, as larvas do Aedes Aegypti são facilmente encontradas em vasos de planta e em caixas d’água. Já em bairros com infraestrutura, os potes de plantas também são um problema, mas o ralo de jardim foi o local de desova preferido do mosquito em 59%.

“É importante que a população saiba que mesmo em áreas de controle é possível ter notificações de dengue porque o mosquito é oportunista e pode, por exemplo, fazer de locais improváveis como a bandeja de água do ar-condicionado ou a da geladeira um criadouro”, explica Freitas.

Mulheres são mais afetadas
O pesquisador Ricardo Lourenço, da Fiocruz, ressalta que não se pode acreditar em boatos. “Alguns acreditam que, por comer alho ou tomar complexo B, serão imunes à dengue, por exemplo. O que não é verdade. Em casos de epidemia a única recomendação além de combater o foco do mosquito, é o uso correto do repelente”, explica Lourenço.

Para o próximo ano, o Ministério da Saúde teme epidemia do tipo 1. Apesar deste tipo da doença ter chegado ao país em 1986, só foram notificados pequenos surtos e focos naquele ano. Segundo a biologista da Fiocruz Ana Maria Bispo quem contrai a dengue nunca desenvolve o mesmo tipo da doença mais de uma vez.

“Às vezes, o diagnóstico clínico não é eficaz e pode ser confundido com leptospirose ou meningite. Por isso, ouvimos casos de pessoas que falam que tiveram dengue seis vezes e não morreram. Por enquanto no Brasil, a população só pode contrair a doença no máximo três vezes”. No país há registros de infestações dos tipos 1, 2 e 3 do vírus da dengue. Recentemente foram identificados em Roraima, casos do tipo 4.

Ana Maria Bispo traça o perfil das pessoas mais afetadas pela dengue. “Os criadouros ficam perto das residências, por ficarem mais tempo em casa, as mulheres acabam mais expostas. As crianças contraem os tipos mais graves por não terem o organismo tão resistente, assim como os adultos com diabetes ou hipertensão”.

Fonte: O Fluminense