quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Salário sem atração

Tramita no Congresso Nacional proposta de emenda à Constituição (PEC) Federal que cria o piso nacional para policiais militares, civis e bombeiros, algo em torno de R$ 3,5 mil para aqueles em início de carreira. Depois da emblemática invasão dos complexos de favelas do Cruzeiro e Alemão, no Rio de Janeiro, integrantes das forças auxiliares cariocas prometeram aumentar a pressão para aprovar a reivindicação.

A PEC 300, no entanto, já se transformou em uma grande dor de cabeça para o governo federal. Grande parte do financiamento para criação do piso nacional sairia dos cofres federais. Segundo cálculos do Ministério do Planejamento, o impacto no orçamento seria por volta de R$ 46 bilhões. Por causa disso, a proposta está emperrada desde 2008.

Mas, em uma análise detalhada no aspecto humano, pode-se verificar que policiais de um modo geral no Brasil ganham bem abaixo da expectativa e dos riscos inerentes à profissão. Em média um PM carioca em início de carreira ganha R$ 900. É isso mesmo, a vida de cada um deles vale R$ 30 por dia.

Isso é mais que um convite para se aliar aos traficantes pesos-pesados. Mas em outra situação, valorosos policiais souberam honrar a farda que vestem ao encarar os bandidos nos morros cariocas, na semana passada.

Habitantes dos complexos de favelas que antes torciam o nariz para presença das polícias, nesse episódio da invasão deram total apoio às forças de segurança, incluindo membros da Marinha e Exército, que deram contribuição efetiva para o sucesso da operação. Até parte da imprensa mudou um pouco os conceitos. Antes só mostravam o lado mau da corporação.

Mudando um pouco o tom de nacionalismo, agora a conversa é com o Congresso Nacional. Deputados e senadores devem dialogar entre si para resolver esta grande pendência sob a pena de uma grande revolta, mesmo silenciosa, em todo Brasil, especialmente no Rio de Janeiro.

Fora do circuito fluminense, outras capitais também podem sofrer com intervenções pontuais dos pseudo-barões das drogas. Apesar de ser um município de médio porte, Cuiabá não está distante de se tornar violenta. Aqui, igual outras cidades mato-grossenses, é rota do tráfico de pasta-base, produto básico para transformação em cocaína.

Portanto, não há como pensar somente no Rio de Janeiro. Isso porque quem fugiu de lá, certamente vai procurar abrigo em outras cidades. É melhor prevenir.

Fonte: Gazeta Digital