quarta-feira, 20 de abril de 2011

Corpo de Bombeiros pune militares que fizeram protesto pacífico

O Boletim interno do Corpo de Bombeiros divulgou ontem no início da noite a lista de 36 bombeiros guarda-vidas que foram transferidos de unidades em consequência de participação na manifestação pacífica realizada no domingo passado na orla de Copacabana. Nesse protesto, agentes do serviço reservado do Corpo de Bombeiros apreenderam uma das faixas que seria levada por um avião, impedindo até mesmo a decolagem da aeronave, no Aeroporto de Jacarepaguá.

A transferência dos militares - todos praças - é mais uma demonstração de arbitrariedade do comando do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, que não admite o diálogo com a tropa e emprega métodos arcaicos da época do regime militar. Os bombeiros querem apenas ser ouvidos pelos seus chefes, como o comandante da corporação, coronel Pedro Marco Cruz Machado, e o secretário de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Cortes, que também parece ignorar os apelos de seus subordinados. O que eles reivindicam é apenas melhores de condição de trabalho e aumento salarial, já que recebem o menor soldo do país, R$ 950 mensais, menos, portanto, que os policiais militares e se arriscam tanto ou mais do que esses.

O estado deu gratificação muito superior aos policiais civis e militares, alegando que os bombeiros não pertencem mais ao quadro da segurança pública do estado. De fato, desde que o governador Sérgio Cabral assumiu o governo, em 2007, os bombeiros foram transferidos da Segurança Pública para a Saúde, que passou a coordenar a Defesa Civil. A medida contraria o que está previsto no artigo 144 da Constituição, que determina as funções de cada órgão da segurança, incluindo os bombeiros, considerados forças auxiliares do Exército, como a PM. O Rio é hoje o único estado da federação em que os bombeiros estão subordinados à Secretaria de Saúde e não mais à de Segurança Pública.

Fonte: Reporter de Crime - O GLOBO