sábado, 2 de julho de 2011

Novo líder do governo disse que é contra propostas da base

Brasília - Em sua primeira entrevista após ser convidado para assumir a liderança do governo no Congresso, o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) se disse contrário a algumas votações defendidas pela base aliada na Câmara e disse que vai trabalhar pelo diálogo.
Mendes disse que pessoalmente não apoia a emenda 29, que regulamenta o dinheiro a ser investido na saúde, e a PEC 300, que cria um piso nacional para os policiais.
O Palácio do Planalto também ainda resiste à votação dessas matérias. Segundo Mendes, a presidente Dilma Rousseff não deu nenhuma recomendação sobre votações. O novo líder justificou que em seu entendimento a emenda 29 não resolve o problema de financiamento da saúde. "Nós não podemos colocar em votação alguma coisa para derrotar. A pior coisa é dizer: "aprovado tal assunto' e não acontece na ponta. Precisamos fazer valer as leis. Colocar em votação para aprovar. E isso é a PEC 300 e a Emenda 29."
Lançando mão de citações futebolísticas, Mendes disse que a única orientação da presidente foi para buscar o diálogo. "[A prioridade é] desarmar espíritos, mostrar que o mau-humor não é mau-humor, que o não não é querer dizer não, mas impossibilidade de dizer o sim, que não existe obra individual, mas obra de todos, enfim, que o Brasil precisa de todo mundo." Mendes não quis dizer se antes da saída de Antonio Palocci da Casa Civil a articulação política do governo tinha problemas com a base no Congresso. Palocci caiu depois que a Folha de S.Paulo revelou que ele multiplicou seu patrimônio por 20 em quatro anos.
"Eu não posso, por exemplo, no próximo jogo dizer para meu time não fazer gol. Mesmo que ele tenha feito quatro no jogo anterior. Eu quero o diálogo. O diálogo é o instrumento que faz com que as coisas aconteçam. Tenho de ouvir, ouvir, ouvir e trabalhar, trabalhar e trabalhar", disse.
Sobre o pagamento de emendas e dos chamados "restos a pagar", ele evitou dizer se essa é uma "página virada" para o governo. "Agora é olhar para a frente, e saber qual é a agonia de amanhã." (Folhapress)

Fonte: Ilustrado