quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Bombeiros são presos em manifestação de rua

Rio (AE) - Dois bombeiros que lideraram a invasão do quartel central da corporação no Rio, no dia 3 de junho, voltaram a ser presos. O capitão Alexandre Marchesini e o cabo Benevenuto Daciolo participavam de um protesto por melhores salários em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, esta madrugada, quando receberam voz de prisão por desobediência. Segundo o comando do Corpo de Bombeiros, eles se recusaram a deixar o local "após diversas solicitações". Os militares foram levados para o Grupamento Especial Prisional, onde aguardam decisão do Tribunal de Justiça. Se condenados, eles podem ficar detidos por até dois anos, segundo o Código de Processo Penal Militar.

Os manifestantes negam que tenham desobedecido ordens. Segundo os líderes do movimento, o protesto começou a ser desfeito depois de um pedido do coronel Ronaldo Jorge Alcântara, subcomandante do Corpo de Bombeiros. Eles contam que Marchesini e Daciolo permaneceram sentados em frente ao Palácio, e por isso teriam sido presos. "Houve um acordo verbal com um coronel para que o grupo saísse, mas os líderes poderiam permanecer ali. Era tudo pacífico, mas depois que os manifestantes saíram, eles receberam voz de prisão", disse Cristiane Daciolo, mulher do cabo Benevenuto Daciolo.

Os manifestantes convocaram bombeiros do interior do Estado para protestar. Eles ocuparam as escadarias da Assembleia Legislativa do Rio e fizeram uma passeata na Avenida Rio Branco, uma das mais movimentadas do centro da capital fluminense.

Em junho, a prisão de mais de 400 pessoas durante um ato por melhores salários provocou uma crise entre o grupo de militares e o governador Sérgio Cabral. Agora, os manifestantes prometem voltar às ruas em protesto. A Secretaria de Estado da Defesa Civil informou que já concedeu uma gratificação no valor de R$ 350 por mês para os bombeiros e que antecipou um reajuste de 5,58% previsto para os militares. Os manifestantes afirmam que os benefícios não são suficientes.