sábado, 8 de outubro de 2011

Mapa da Violência

Depois de o Mapa da Violência - Anatomia dos Homicídios no Brasil, revelar que entre 1997 a 2007, o país registrou 512.216 assassinatos, o Estudo Global de Homicídios 2011, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), aponta que o Brasil tem hoje a terceira maior taxa de homicídios na América do Sul, com 22,7 mortes para cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas da Venezuela, com 49 mortes por cada grupo de 100 mil, e da Colômbia, com 33,4 homicídios por cada grupo de 100 mil.
O relatório traz um balanço dos índices de homicídios no mundo, com base em dados da Justiça criminal e dos sistemas de saúde pública de 207 países, de forma que o Brasil aparece não apenas entre os mais violentos da América do Sul mas, também, entre os mais violentos do mundo. Nem pode ser diferente, já que o Brasil, país mais populoso da América do Sul, registrou 43.909 homicídios somente em 2010, ano em que foram assassinadas 468 mil pessoas em todo o mundo, ou seja, quase 10% dos homicídios ocorreram no Brasil.
O mais preocupante é que desde 1995, a taxa de homicídios tem diminuído em países da Ásia, da Europa e da América do Norte, mas não para de crescer na América Latina, com maior peso na América Central e no Caribe. O estudo revela que na média mundial 42% dos homicídios envolvem armas de fogo, mas nas Américas esse volume chega a 74% dos crimes.
O mais preocupante é a violência entre jovens na faixa etária de 15 anos aos 24 anos cresceu de forma assombrosa no Brasil na década de 1998 a 2008, quando 39,7% dos homicídios tiveram como vítima as pessoas dessa faixa etária. A pesquisa, que tem como fonte os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, aponta o crescimento das mortes de jovens por homicídio, por acidentes de trânsito e, também, por suicídio. Fica claro, portanto, que as iniciativas estatais de combate à violência não estão surtindo os efeitos esperados pelos governantes, fator que tem deixado a sociedade brasileira cada vez mais refém do medo.
O mais estranho é que enquanto na quase totalidade dos Estados brasileiros a violência tem aumentado, como revela o Estudo Global de Homicídios 2011, no Estado de São Paulo o índice de homicídios recuou a ponto de surpreender o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc). Ao contrário da tendência apontada pelo estudo de que, quanto maior a cidade, maiores os riscos de ocorrência de crimes violentos, a cidade mais populosa do Brasil vem conseguindo diminuir o número de homicídios em relação à população, tanto que os assassinatos caíram, por grupo de cem mil habitantes, de 20,8 em 2004 para 10,8 em 2009, número infinitamente menores que a média nacional de 22,7 assassinatos por cada 100 mil habitantes. Fica claro, portanto, que se São Paulo, a cidade mais populosa do Brasil, consegue diminuir o número de assassinatos por meio de medidas preventivas e repressivas, focando fatores de risco específicos, o restante do Brasil poderá fazer o mesmo desde que priorize as políticas de segurança pública, capacite melhor as políticas e remunere melhor os policiais.
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime considera que a experiência recente de São Paulo demonstra que há grandes possibilidades para a prevenção de crimes violentos e a redução no meio urbano, desde que haja adoção de novos métodos de policiamento. Ao invés de simplesmente copiar o exemplo bem sucedido de São Paulo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defende que o país precisa ter ações mais integradas e efetivas para a redução da violência e admite que a impunidade é um dos principais aspectos a serem combatidos.
Quando fala em impunidade, o ministro da Justiça não pode querer simplesmente jogar a culpa no legislador ou no Poder Judiciário, já que o próprio governo federal falha nos seus programas a ponto de o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), anunciado com festa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e classificado como o PAC da Segurança Pública, ainda não gerou qualquer resultado prático contra a violência, pelo contrário, mesmo como o Pronasci o volume de homicídios tem crescido em todo o Brasil. A exceção é o Estado de São Paulo.

Fonte: Progresso