sexta-feira, 16 de março de 2012

Policiais civis aguardam reajuste de salário e ameaçam greve

Cerca de 600 policiais, entre investigadores e escrivães de Mato Grosso do Sul, se reuniram no Sinpol/MS (Sindicato dos Policiais), no bairro José Abraão, para uma Assembléia Geral Extraodinária, na manhã desta sexta-feira (16).
De acordo com o presidente da entidade, Alexandre Barbosa da Silva, a convocação é a nível nacional, para discutir questões referentes ao piso salarial, possíveis padronizações na polícia e até uma possível greve, a ser realizada exatamente em um mês, no dia 16 de abril.
“Foi uma deliberação do Cobrapol (Confederação Brasileira dos Policiais), após uma reunião em Brasília. Vamos conversar a respeito da PEC 300, uma lei orgânica no Ministério da Justiça sobre padronizações de boletim de ocorrência, nomenclaturas dos policiais, entre outras reivindicações”, afirma Alexandre.
O atual salário dos profissionais do Estado é de R$ 2.142, 19° em relação a outros municípios. “Nosso salário é menor do que policiais de Brasília (R$ 7 mil), Sergipe (4,8 mil) e até Alagoas (3,5 mil). Assim como os professores, que possuem o Fundeb (Fundo de Educação Básica), nossa intenção é possuir um fundo que ajude a pagar o nosso salário juntamente com o governo estadual”, explica Alexandre.
Anterior a uma possível greve, Alexandre afirmou que será marcada uma audiência na próxima semana com o governador do Estado. “A categoria está agora mais unida e sabemos muitas vezes do desvio da nossa função. Cuidar da população carcerária, que é algo que deveria ser feito pela Agepen (Agência Estadual de Regulação do Sistema Penitenciário), ainda é nosso trabalho. Tudo será discutido com o governador”, alega Alexandre.
Interior
Em pensamento unânime, policiais do interior também querem melhores condições de trabalho e salário. “Os profissionais são de nível superior e muitas vezes ficam desmotivados, já que ao se formar são enviados para cidades distantes da Capital, como Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo. A pessoa fica longe da família, com um salário líquido de R$ 1,7 mil para pagar água, luz, telefone e aluguel. É muito pouco e com isso está grande o número de exoneração”, afirma o vice-presidente do sindicato, Roberto Simião de Souza.
Ele conta que a estratégia de negociação com o governo será um “pagamento escalonado”. “Temos a intenção de receber R$ 3,5 mil até 2014, com aumento gradativo a cada ano. Se nada for negociado, apenas 30% da categoria vão trabalhar. E o quadro já é deficiente, porque deveríamos ter no mínimo pelo menos mais 780 investigadores e 150 escrivães, para estarmos de acordo com a Lei 114/05 do Código Penal”, explica Simião.
Em comparação a outros profissionais, o vice-presidente do Sinpol/MS, afirma que a polícia civil deve ser mais valorizada. “Os policiais federais recebem R$ 7 mil para cuidar do tráfico internacional e crimes contra o patrimônio da União. Nós ajudamos a sociedade, em casos de homicídio, sequestro, estupro e por isso também devemos ser valorizados”, avalia Simião.
 
Fonte: Midiamaxnews