domingo, 24 de julho de 2016

Apesar de a Lei 9.605 ser clara, sua aplicação não é tão fácil. Por dispensar laudos técnicos para sua tipificação, o treinamento e conhecimento adequados são fundamentais.

A noção de Meio Ambiente é polissêmica em nossa sociedade, o que torna a conceituação conflito socioambiental quase que inatingível e, consequentemente, sua eliminação inexequível, pois sempre dependeria do lugar do intérprete sobre o fim do conflito.

O melhor a fazer em um conflito intratável, é administrá-lo, trazer a responsabilidade a cada um dos atores envolvidos. Sejam Gestores, Polícias Ambientais, Prefeituras, Ministérios, Governos Estaduais, Sociedade Civil. 

Atuar de forma de clara e objetiva, com disposição para cooperar com o setor deficitário, em busca do objetivo comum.

Cláudio Vinícius




Projeto da Rio 2016 prometia um dos eventos mais sustentáveis da história. Porém medidas não saíram do papel



Lixo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

No papel, a Rio 2016 parece ser uma das Olimpíadas mais ecologicamente sustentáveis da história. Medalhas foram feitas com ouro reciclado. Os pódios, com madeira certificada. As compras para o evento foram feitas com exigências ambientais, e há até a previsão de alimentos orgânicos no evento.


Já na prática, não temos motivos para ser otimistas. Segundoreportagem da Folha de S. Paulo publicada na semana passada, a organização da Rio 2016 não cumpriu nenhuma meta ambiental prevista no projeto. O pior desempenho é o do tratamento do esgoto que ainda hoje é lançado na Baía de Guanabara. Segundo a Folha, o tratamento não avançou sequer metade do que havia sido prometido. O risco de atletas das competições de vela pegarem doenças no local é real.


Faltando apenas duas semanas para os Jogos, será que ainda há tempo para que a Rio 2016 retome o caminho traçado em suas metas? Segundo a pesquisadora Beatriz Kiss, da FGV, que estuda sustentabilidade em grandes eventos, será um desafio. Isso porque o trabalho precisa começar muito antes do evento.

Beatriz compara o que está acontecendo hoje, com a Olimpíada, com o cenário da Copa do Mundo de 2014. Assim como nos Jogos Olímpicos, o plano de sustentabilidade da Copa era ambicioso e inovador. "A proposta da Copa era muito boa, só que pouco foi feito antes do evento. Sinto que a Olimpíada está indo para o mesmo caminho", diz.

Segundo a pesquisadora, ainda é particamente impossível fazer um evento desse porte sem causar impacto ambiental. O que é possível é minimizar esse impacto. "É muito difícl ter impacto neutro ou nulo. São eventos que moblizam muitas pessoas para o mesmo local, causando impacto ao meio ambiente. O que se busca fazer é minimizar isso. Ter a consciência de que vai gerar impacto e ter as ferramentas certas para mensurar emissões, resíduos, etc".

O cenário para a Rio 2016 é ruim, mas nem tudo está perdido. Ainda será possível compensar alguns impactos durante o evento. Por exemplo, a compensação das emissões de gases de efeito estufa podem ser feitas depois, com o plantio de árvores. Infelizmente, no entanto, o que poderia ser o maior legado para o Rio - a despoluição da Guanabara - parece longe de se concretizar.